Demétrio Praxedes Araújo


Auxiliares da Mobilidade / Locomoção

AUXILIARES DA MOBILIDADE / LOCOMOÇÃO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS, são produtos / equipamentos que visam proporcionar ou melhorar o grau da independência funcional, também conhecida como Atividade da Vida Diária (AVD). ÓRTESES, PRÓTESES e outras Ajudas Técnicas (ou Tecnologias Assistivas) são produtos para o mesmo fim, mas que não estarão inseridos como objeto deste trabalho. Nosso objetivo é fornecer didaticamente um material teórico que possibilite maior conhecimento aos interessados, muitos dos quais temos certeza que poderão estar orientando, indicando ou prescrevendo estes produtos. As imagens / fotos para este trabalho não são o nosso foco principal, mesmo porque existem centenas facilmente encontradas nos folhetos / catálogos das empresas fabricantes, e nos sites específicos. Nosso foco estará direcionado para a teoria com alguns comentários, sobre os produtos abaixo descritos. Alguns equipamentos mantemos no idioma (inglês) de origem, considerando que assim são mais identificados / conhecidos na literatura e nas apresentações dos fabricantes.

1. Cadeira de rodas
2. Stair-trac
3. Elevador para cadeira de rodas
4. Stairlift
5. Evacuation Chair
6. Mini elevador
7. Elevador eletro-hidráulico em veículos
8. Scooter
9. Parapodium
10. Stand in table
11. Andador
12. Muleta axilar
13. Bengala
14. Veículo motorizado adaptado

Ao indicar qualquer destes produtos, devemos responder perguntas, antes de elaborarmos a prescrição para a concessão ou compra do produto pelo usuário:
Qual o diagnóstico etiológico e da incapacidade ?
Quem é a Pessoa com Deficiência (verdadeiro usuário) ?

Idade - Sexo - Estado civil - Peso corporal - Profissão - Condição social, familiar, econômica, cultural, escolaridade - Estado mental / emocional / psíquico / cognitivo - Habitação / moradia, entorno e interior (com detalhamento do espaço e estrutura física, largura de portas, presença de barreiras arquitetônicas tipo escadas / outras - Autolocomoção ou auxiliada por terceiros ? - Qual a rotina diária de vida ? - Trabalha, onde, em quê, transporte próprio ? - Qual sua expectativa de vida e para a vida ?

Qualquer produto / equipamento será sempre prescrito, com base em critérios a serem observados e considerados, quando respondemos as perguntas acima citadas, onde buscamos o pleno conhecimento do conjunto “Paciente …† Equipamento”. Deverá haver harmonia entre o equipamento e a pessoa, lembrar que esta pessoa é única.

PRESCRIÇÃO: vale para todos os produtos de Tecnologia Assistiva, incluindo também as órteses, próteses, auxiliares da mobilidade / locomoção e auxiliares das AVDs, uma ampla reflexão na forma do “prescritor” elaborar HOJE a prescrição, quer seja em caráter privado para compra pelo usuário, ou institucional para concessão por Instituições, ou empresarial para concessão por empresas de vínculo com o usuário. Motivos:

  • a) - A tecnologia para a confecção dos componentes destes produtos / equipamentos, avançou muito na última década, tornando-se de alta complexidade, exigindo conhecimentos mecânicos e eletrônicos profundos e específicos, dificultando a plena compreensão da biomecânica dos mesmos, aos não especialistas técnicos no assunto.
  • b) - A velocidade da mudança da avançada tecnologia, altera em curto espaço de tempo, quando comparada com décadas anteriores. Produtos há 2 ou 3 anos lançados no mercado, hoje existem com significativa alteração do mecanismo funcional e de fabricação, ou inexistem, substituídos por outros de nova e mais avançada tecnologia.
  • c) - A sociedade e o nosso comportamento social mudaram. A prática do exercício da cidadania, tem sido manifestada e exigida em nosso cotidiano, quer seja por iniciativa própria ou por via judicial. Este é um fato real e positivo, onde todos têm que assumir sua parcela de responsabilidades.
  • d) - A acessibilidade à informação e os meios de comunicação disponibilizam aos cidadãos, o necessário para que se inteirem dos mais diversos assuntos, permitindo com que estejam mais preparados para o exercício da cidadania.
  • e) - A Legislação brasileira, no caso especificamente o “Direito do Consumidor”, sem dúvida é um grande avanço que envolve e protege a sociedade como um todo, e deixa muito claro o aspecto da responsabilidade para todos.
  • f) - Este montante de conhecimentos / informações / tecnologias / legislações / interesses comerciais, judiciais e outros, muitas vezes não bem interpretados ou “traduzidos” por quem prescreve, ou por quem fabrica, ou pelo usuário, ou por “quem pagará”, tem gerado ações judiciais desnecessárias quando o procedimento não satisfaz a expectativa ou a vontade, principalmente do usuário. Alerto para o fato de estarmos percebendo que em tais situações, “o responsável” perde lenta e progressivamente sua força, e... “busca-se o culpado”. Quem será “o culpado” ? .......
    ¨ - Minha conduta atual e que adoto há algum tempo, por exemplo nas prescrições de próteses: faço a prescrição do que julgo tecnicamente correto e adequado ao caso; ao final desta prescrição, escrevo que “o paciente”, tem o direito ou poderá optar se desejar, por outro componente protético. Assim procedo, porque posso dizer (com certo exagero da minha parte), que 100 % dos amputados de membros superiores querem e às vezes exigem “prótese mioelétrica”, e pelo menos 80 % dos amputados transfemorais querem prótese com “joelho computadorizado, pé em fibra de carbono, liners de silicone”, tudo que consta nos sites, nos catálogos das empresas fabricantes, independente do nível de amputação, da sua idade, da sua condição clínica. Continua ainda a preocupação e interesse de que “o mais caro é o melhor”, e esquecem os critérios / indicações e contra-indicações técnicas. Não fujo à responsabilidade, compartilho as responsabilidades com a família e usuário cidadão, com a instituição e com a empresa ! Denomino esta minha conduta, como “conduta cautelar” .

1. CADEIRA DE RODAS: para fins didáticos, podemos classificá-las em tipo padrão ou personalizada, mecânica ou motorizada. O modelo personalizado de confecção pode ser fabricado após medições individuais tomadas através de sistema computadorizado, respeitando possíveis alterações posturais ou deformidades do tronco e pelve. Este tipo pode perfeitamente ter a estrutura de sustentação padrão, mas o assento e encosto são “personalizados”.

  • O encosto e assento podem ser alcochoados e revestidos em lona resistente / nylon / courvin ou couro.
  • Para facilitar o transporte da cadeira, além de ser dobrável, muitas são completamente desmontáveis rapidamente, “Quick - Release” nas 4 rodas, e facilmente montáveis, o que facilita colocá-la, por exemplo, em porta-malas de automóvel.
  • Há vantagem para os grandes incapacitados (Paraplégicos / Tetraplégicos / Hemiplégicos) a indicação de Cadeiras de rodas que permitam sistema de elevação manual / mecânico ou eletrônico por controles remotos. Sua elevação possibilita o ortostatismo (Stand-up wheelchairs).
  • Ao indicar uma Cadeira de rodas ao “cadeirante”, precisamos pensar em “luvas para as mãos”, principalmente quando sabemos que o usuário permanecerá muitas horas ao longo do dia sobre este “estranho” equipamento. Quanto mais confortável, melhor ao usuário. Por este motivo, ganha espaço cada vez maior, o sistema personalizado de fabricação do encosto e assento. Por falar em “luvas”, o cadeirante permanente e de grande mobilidade com auto-impulsão de sua cadeira, desenvolve calosidades nas mãos, muitas vezes dolorosas e até ferimentos, motivo pelo qual a luva específica em neoprene, previne tal desconforto, e deve ser prescrita.
  • A variedade das cadeiras é muito grande, o design surpreende, as opções são inúmeras, a qualidade é muito boa, o custo é variável, dependendo dos componentes da fabricação e do mecanismo propulsor. Considero a prescrição complexa, que resumidamente farei alguns comentários, direcionando exatamente para uma seqüência lógica da prescrição. O essencial estará sempre relacionado com os diagnósticos etiológico e da incapacidade e com os MATERIAIS DE FABRICAÇÃO / ADAPTAÇÕES / ACESSÓRIOS ESPECIAS / PINTURA / PROCEDIMENTOS SECUNDÁRIOS / OPÇÕES PARA SEREM INSERIDAS OU NÃO, NAS PRESCRIÇÕES-PADRÃO:

1. CADEIRA DE RODAS DOBRÁVEL, DESMONTÁVEL (OU NÃO), TIPO INFANTIL / JUVENIL / ADULTO / ESPECIAL (PERSONALIZADA).
2. ESTRUTURA DE CONFECÇÃO EM ALUMÍNIO / LIGA METÁLICA / AÇO / TITÂNIO / FIBRA DE CARBONO.
3. PINTURA NAS MAIS VARIADAS CORES - ELETROSTÁTICA / EPOXI / CROMADA.
4. SUPORTE / ADAPTAÇÃO POSTURAL DE CONTENÇÃO, PARA CABEÇA / PESCOÇO.
5. ENCOSTO PADRÃO / ESPALDAR MAIS ALTO QUE O PADRÃO / RECLINÁVEL (DE 90 A 180 GRAUS) / NÃO RECLINÁVEL / .ENCOSTO E ASSENTO PERSONALIZADOS, MOLDADOS PARA O PACIENTE.
6. FAIXA LARGA (12-15 cm) PARA ADAPATAÇÃO / CONTENÇÃO DO TRONCO NA CADEIRA.
7. ADAPTAÇÃO POSTURAL PARA TRONCO, TIPO CINTO DE SEGURANÇA EM “X” / TIPO APOIO OU SUPORTE DO TRONCO EM TRÊS (3) PONTOS / TIPO APOIO LATERAL PARA O TRONCO, EM ESPUMA SEMI-RÍGIDA.
8. ADAPTAÇÃO NO ASSENTO PARA EVITAR ADUÇÃO OU ABDUÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES / ALMOFADA PARA ASSENTO, SOB MEDIDA E EM ESPUMA, SOB MEDIDA E REVESTIDA EM COURO.
9. FAIXAS DE CONTENÇÃO DA PELVE OU MEMBROS INFERIORES, ESPECIFICANDO LARGURA / FAIXA (8-12 cm de largura) PARA IMPEDIR EXTENSÃO INVOLUNTÁRIA DOS MMII (POR ESPASTICIDADE).
10. SUPORTE DE BRAÇOS FIXOS OU REMOVÍVEIS, OU RETRÁTEIS ATÉ 90 GRAUS..
11. MESINHA DE ATIVIDADES, ACOPLADA NA CADEIRA, E REMOVÍVEL.
12. PNEUS MACIÇOS / INFLÁVEIS / COM FREIOS.
13. GRANDES RODAS TRAZEIRAS / DIANTEIRAS.
14. GRANDES RODAS COM OU SEM AROS DE PROPULSÃO.
15. PINOS SOBRE AROS DE PROPULSÃO, PARA PERMITIR AUTOIMPULSÃO (TETRAPARÉTICOS).
16. ADAPTAÇÃO TIPO RODAS “ANTI-TOMBO” (ANTI-TIP) POSTERIORES, REMOVÍVEIS.
17. PLACA COM / 6 FUROS, FIXADA NAS RODAS TRAZEIRAS, PARA REGULAR O ÂNGULO DO ASSENTO E O CENTRO DE GRAVIDADE.
18. SUPORTE PARA PANTURRILHAS, OU POSTERIOR AOS CALCANHARES, OU FAIXA HORIZONTAL POSTERIOR ÀS PANTURRILHAS.
19. PEDAIS AJUSTÁVEIS, GIRATÓRIOS OU REMOVÍVEIS, PERMITINDO (OU NÃO) EXTENSÃO DOS JOELHOS A 180 GRAUS.
20. LUVAS EM NEOPRENE, PARA AUTO-IMPULSÃO DE CADEIRA DE RODAS MECÂNICA.

a) Cadeira de rodas tipo Infantil: para crianças com idade até aproximadamente 7 anos de idade, se considerarmos, por exemplo, que certos casos do Paralisia Cerebral grave, algumas crianças até com mais de 7 anos apresentam pequena estrutura física, ainda enquadrando-se nesta categoria “infantil”, para este fim. Em tais casos, a cadeira será impulsionada por terceiros, não terá aros de propulsão e muitos outros acessórios acima descritos. O encosto pode ser reclinável independente em 3 posições. O apoio ou suporte da cabeça, tem várias regulagens na altura, profundidade e angulação; este dispositivo pode ser também adaptado em outros tipos, não só no infantil. São também conhecidos como “carrinhos de bebês”, que podem ser personalizados, com encosto e assento revestidos em tecido, nylon, courvin ou couro, semelhante às demais. Não necessitam de aros de propulsão, que na verdade só devem ser colocados, quando a cadeira for auto-impulsionada pelo usuário.

b) Cadeira de rodas tipo Juvenil: respeitando as devidas proporções físicas individuais que nunca são matematicamente idênticas, mas para inserir dentro de um conceito didático, teoricamente seria para pessoa entre aproximadamente 7 a 14 anos. A prescrição terá neste caso, a necessidade de uma observação mais cuidadosa nos 20 itens anteriormente descritos.

c) Cadeira de rodas tipo Adulto: na mesma lógica de faixa etária, estamos considerando que após 14 ou 15 anos de idade, o tipo “adulto” se enquadra. Creio que neste tipo, sempre teremos a oportunidade de empregar maior número de adaptações ou acessórios especiais.

d) Cadeira de rodas tipo “especial”: quando constatamos a necessidade e a obrigatoriedade, de confeccionar a cadeira para determinada pessoa. Sua fabricação é específica e deve ser acompanhada da tomada precisa das medidas internas da residência e / ou do ambiente do seu convívio social ou de trabalho. Neste caso, a estrutura de sustentação e o assento e encosto, são personalizados. Enquadram-se neste tipo, por exemplo, pessoas de grande estatura / envergadura, obesos, ou com anquiloses / artrodeses em extensão dos quadris e principalmente dos joelhos. Sempre que o usuário for de peso corporal elevado, o aço torna-se o material quase sempre de opção por parte do fabricante.

e) Cadeira de rodas Mecânica: é impulsionada por terceiros ou pelo próprio paciente através da força dos MMSS sobre os aros de propulsão, empurrando-a com as mãos para o sentido desejado.

f) Cadeira de rodas “Motorizada”: - com adaptação para tetraplégico - padrão - stand-up. São cadeiras pesadas que precisam da observância de critérios técnicos. Tem baterias de peso aproximado de 10 -15 kg, o custo é mais elevado, o que não tem importância na concessão ou aquisição desde que o usuário possua variáveis que justifique o uso, e que tenha infra-estrutura para transportá-la e bem usá-la. O comando é eletrônico digital, controlador tipo joystick digital, havendo também tecnologia para que a mobilidade seja comandada pela voz do usuário, ou por pequenos movimentos da cabeça com capacete específico adaptado (para quem não possui o mínimo movimento com MMSS), ou através de eletrodos na cabeça que interprete códigos preconizados com o próprio pensamento (em pesquisa e aperfeiçoamento). O sistema pode ser implantado em cadeiras não só do tipo adulto, mas até infantil. Os vários modelos podem ser adaptados em cadeiras até mesmo para obesos mórbidos. Os usuários privilegiados que possuem transporte próprio adaptado para transportá-las sem precisar desmontá-las, têm um conforto a mais a seu favor.

  • Autonomia variável, usualmente de 30 - 40 km, e velocidade média de 7 - 8 km / hora.
  • Podem ser fabricadas para permitir o ortostatismo (stand-up).
  • Não precisam obrigatoriamente de grandes rodas dianteiras ou traseiras.

g) Cadeira de rodas para esporte: atualmente com alta tecnologia e arrojado design. Visando esportes de alta competitividade para atletas ao nível de Paraolimpíadas, muitas são fabricadas com o perfil personalizado do atleta.

  • São de grande leveza, estrutura tubular em alumínio aeronáutico ou fibra de carbono, pneus com câmaras de alta pressão, protetor de raios, eixo removível tipo “ Quick release”, assento com almofadas de alta densidade, dispositivo anti-tombo, e principalmente, são fabricadas para o esporte específico.

h) Cadeira de rodas para banho: os modelos são variados, bem como o design e conforto. Opções:

  • Maioria fabricadas em alumínio, dobráveis ou não, desmontáveis com sistema “Quick-release” ou não.
  • Encosto fixo ou reclinável, com adaptação para suporte da cabeça / pescoço que pode ser ajustável ou até removível.
  • Suporte para braços fixos ou removíveis.
  • Apoio para os pés, giratórios, fixos ou removíveis.
  • Tipo Pop-sanitária com balde coletor, ou com assento sanitário estofado / alcochoado.
  • Assento anatômico fixo ou removível.
  • Pode ter grandes rodas traseiras e com rolamentos blindados nas 4 rodas.

Cadeira de rodas / cadeirante tem muito a ver com INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL OU AVD, ACESSIBILIDADE, BARREIRAS ARQUITETÔNICAS, DESIGN, ADAPTAÇÕES NA MORADIA, e outros aspectos inerentes à Reabilitação Geral. Nesta visão macro da Pessoa com Deficiência há o diferencial de quem entende mais, ou entende menos de Reabilitação. Até que a Pessoa com Deficiência / cadeirante, adquira experiência prática e aceitação de sua incapacidade, demora um pouco, ou muito. Nós profissionais da Reabilitação, temos a obrigação de no mínimo informar e orientá-los bem.

2. STAIR-TRAC: é um “elevador portátil para pessoas em cadeira de rodas” com baterias recarregáveis. Adapta à base de qualquer cadeira de rodas desde o tipo infantil, juvenil ou adulto, para naturalmente subir ou descer escadarias. Tem adaptação para assento opcional quando se trata de não cadeirante, que anda com auxílio e dificuldade, necessita subir ou descer escadarias, porém não consegue.

  • Peso de ± 54 kg, largura de 63,5 cm, comprimento de 1,48 m, autonomia para 650 degraus (que corresponde a um prédio de 35 andares), transporta até 130 kg. Velocidade de subida = 6,5 m / min, e de descida = 8,8 m / min.
  • O Super Stair-Trac, tem capacidade para ser adaptado em cadeiras de rodas motorizadas, que são mais pesadas que as cadeiras de rodas mecânicas, portanto, suportam maior carga de peso.
  • Subir ou descer escadas em cadeira de rodas com Stair-Trac, não exige nenhum esforço do cadeirante ou de quem transporta o equipamento, e o cinto de segurança permite confiabilidade ao usuário.
  • É equipamento de baixo custo, considerando o alto benefício.
  • As indicações são as mais diversas possíveis, porém o emprego do Stair -Trac no Brasil, ainda é muito tímido e restrito, tanto em residências tipo casas com escadarias internas, como em prédios residenciais. Quantas igrejas, hotéis, escolas, prédios públicos, museus, parques, locais de lazer, possuem em sua entrada, grandes escadarias, limitando o acesso de pessoas com Deficiências físicas, principalmente os cadeirantes. Se cada local dos citados tivesse pelo menos um (1) Stair-Trac, facilitaria a acessibilidade a todos, sem precisar “fazer obras, quebrar escadas, construir rampas, etc...”, estaria proporcionando a essas pessoas, o direito de melhor acessibilidade e cidadania.
  • Nesta mesma linha de raciocínio de MOBOLIDADE E LOCOMOÇÃO de Pessoas com Deficiência, consideramos:

3. ELEVADOR PARA CADEIRA DE RODAS: adaptado na lateral de escadarias (retas, curvas ou tipo caracol), que permite ao cadeirante subir ou descer escadas sem ajuda de terceiros, com o máximo de conforto ou segurança.

4. STAIR LIFT: é um assento, tipo poltrona pequena, funcionando como um pequeno elevador, adaptado lateralmente às escadas, que acionado por controle remoto, sobe e desce as escadarias, servindo de transporte de Pessoa com Deficiência Física que tenha mobilidade reduzida. Muito prático para pessoas idosas com mobilidade reduzida.

5. EVACUATION CHAIR: é uma cadeira (que não é cadeira de rodas), usada nas emergências que sempre acreditamos nunca acontecerá no prédio residencial onde moramos, ou no comercial onde trabalhamos. Qual o prédio / edifício de 3, 4, 10, 20 ou mais andares, que não tenha permanente ou esporadicamente em seu interior, pessoas idosas com lentidão na mobilidade, ou com mobilidade reduzida por doenças ou incapacidade de qualquer natureza ? Em casos de emergência tipo incêndio ou de outra natureza, essas pessoas estão em desvantagem na sobrevivência, comparando com os mais jovens, mais fortes, mais ágeis. Essas cadeiras, embora pouco usadas, são de grande importância nestes momentos, em que o elevador não deve ser usado, e com uma adaptação em borracha deslizante na base desta cadeira, uma pessoa normal consegue fácil e rapidamente descer escadarias com o Deficiente físico, sentado com conforto e segurança. É mais um equipamento útil em condomínios de Edifícios residenciais ou comerciais.

  • Existindo esses equipamentos preventivos de segurança e acessibilidade no local, resta montar as estratégias do uso e funcionamento.

6. MINI ELEVADOR (MINIVATOR) ou Elevadores Especiais para Pessoas com Deficiências: podem ser fabricados visando as necessidades do ambiente ou do usuário, mas o que ressaltamos aqui, são os mini, especificamente para atender o usuário em seu domicílio, ou locais específicos como Escolas ou Clínicas / Hospitais, em moradias ou prédios de 2 ou 3 andares. São pequenos elevadores para transportar internamente o cadeirante em sua cadeira de rodas e um acompanhante. Tratando-se de residências, casas de 2 andares por exemplo, há necessidade de que a empresa especializada comprove a possibilidade segura de montar o equipamento. Precisa ser verificada a estrutura física da casa, por engenheiro, antes da aquisição / montagem do elevador.

7. ELEVADOR ELETRO-HIDRÁULICO EM VEÍCULOS: no site da Ortobrás, encontra-se referência aos elevadores eletros-hidráulicos para adaptação em ônibus, microônibus, vans e automóveis particulares, ou seja, promoção da mobilidade / acessibilidade ao transporte público ou privado.
FONTE DOS ITENS 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 13 ( ver imagens / fotos ):
Referente ao que abordamos resumidamente, apresentamos a fonte / bibliografia recomendada para maior abrangência do conhecimento, não só no que se refere à cadeira de rodas, mas também aos outros auxiliares da mobilidade / locomoção. Tratando-se de produtos / equipamentos / aparelhos, inserimos alguns sites onde existem boas imagens / fotos, que possibilitarão melhor compreensão:

  • a) “DESIGNING WITH CARE” - “A GUIDE TO ADAPTATION OF THE BUILT ENVIRONMENT FOR DISABLED PERSONS” - International Year of Disabled Persons - UNITED NATIONS - 1981 (IYDP).
  • b) “ORTHOTICS ETCETERA” - THIRD EDITION - John B. Redford - RML (Rehabilitation Medicine Library) – 1986.
  • c) “Orientações para projetos de Banheiros para Portadores de Deficiência Física” - DECA – Outubro de 1998.
  • d) “Manual de recepção e acessibilidade de Pessoas Portadoras de Deficiência a empreendimentos e equipamentos turísticos” - Ministério do Esporte e Turismo - EMBRATUR – 1999.
  • e) “Guia de Acessibilidade Urbana” - Fácil acesso para todos - (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais - Prefeitura Municipal de Belo Horizonte). Coordenação: Flávia Pinheiro Tavares Torres – 2006.
  • f) “Guia de Acessibilidade em Edificações” - Fácil acesso para todos - - (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais - Prefeitura Municipal de Belo Horizonte). Coordenação: Flávia Pinheiro Tavares Torres – 2006.
  • g) “MEDICINA DE REABILITAÇÃO” - QUARTA EDIÇÃO - Sérgio Lianza - Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação e Academia Brasileira de Medicina de Reabilitação - Guanabara Koogan – 2007.
  • h) “PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA - LEGISLAÇÃO FEDERAL BÁSICA” - Presidência da República / Secretaria Especial dos Direitos Humanos / Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) – 2007.
  • i) “OTTO BOCK” - www.ottobock.com.br
  • j) “BAXMANN JAGUARIBE” - www.baxmannjaguaribe.com.br
  • k) “ORTOBRÁS” - www.ortobras.com.br
  • l) “CARONE” - Cadeiras de Rodas do Nordeste - www.carone.ind.br
  • m) “TOKLEVE” - www.tokleve.com.br
  • n) “ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA À CRIANÇA DEFICIENTE” - www.aacd.com.br
  • o) “THYSSENKRUPP ELEVADORES” - www.thyssenkruppelevadores.com.br
  • p) “GARAVENTA ACCESSIBILITY” - www.garaventa.ca
  • q) www.reateam.com.br
  • r) www.basicelevadores.com.br

8. SCOOTER ELÉTRICO: com 3 ou 4 rodas e 1, 2 ou até 3 assentos. Tipo triciclos ou quadriciclos, com adaptação própria para Pessoa com Deficiência motora / física, mas que tenha potencial para dirigir / controlar o veículo. Podem ter adaptação para pequenas cestas, para usar, por exemplo, em supermercado ao fazer compras. Como as cadeiras de rodas, são fabricados nas variadas cores e possuem design padrão ou arrojado.

9. PARAPODIUM: construído em madeira, fórmica ou em estrutura metálica tubular, com indicação principalmente para crianças, porém há também para adolescentes e adultos, desde que haja a indicação para facilitar o ortostatismo, melhorar postura, equilíbrio, proporcionar atividades na mesa acoplada para tarefas manuais, outras de AVDs e alimentação, e principalmente a locomoção, que para estes casos seria o Parapodium não estático, mas sim dinâmico. Esta mesa é ajustável e removível conforme a necessidade. A vantagem do tubular, é que com o crescimento da criança, podemos ajustá-los um pouco mais para que tenha maior durabilidade de uso. O emprego do Parapodium, não pode ser esquecido nos caso de Paralisia Cerebral, para crianças que tenham grande dificuldade no equilíbrio de tronco, postura e ortostatismo.

ADAPTAÇÕES / ACESSÓRIOS ESPECIAS / PROCEDIMENTOS SECUNDÁRIOS / OPÇÕES PARA SEREM INSERIDAS OU NÃO, NAS PRESCRIÇÕES-PADRÃO: 1. suporte para apoio e / ou contenção da cabeça e pescoço. 2. correias / faixas para contenção de outras partes do corpo (citar o local). 3. adaptação em forma de prato / disco giratório na plataforma de base, para promover deslocamento. 4. base antiderrapante. 5. mesa de atividades. 6. 4 pequenas rodas na base, com travas opcionais. 7. plataforma “tipo prato” sob a base para também facilitar locomover o equipamento. 8. colete acoplado para sustentação do tronco.

Parapodium estático, e principalmente de madeira ou fórmica, para crianças, lembrar que deve ter alcochoamento interno revestido.
O parapodium tubular pode ser mais funcional no uso, dependendo do quadro motor do paciente, por esse motivo, descrevemos aqui, orientação básica como sugestão para prescrição:

Parapodium estático em estrutura tubular; pintura epoxi; faixas para suporte do tronco, pelve, joelhos, ajustável e reclinável; mesa de atividades removível; 4 rodas com trava / bloqueio na base.

Parapodium dinâmico (mecânico), em estrutura tubular, polido ou com pintura epoxi; faixas para suporte do tronco, pelve, joelhos, ajustável e reclinável, possibilitando deslocamento com movimentos / balanceamento do corpo.

Parapodium dinâmico de reciprocação, tubular polido ou com pintura eletrostática; faixas para suporte do tronco, pelve, joelhos; ajustável e reclinável, possibilitando marcha deslocamento com movimentos / balanceamento do corpo ou com ajuda de um par de bengalas.

10. STAND IN TABLE: para uso adulto ou infantil, tem semelhança com parapodium estático. Pode ser construído em madeira, fórmica e estrutura metálica tubular, com design mais arrojado, e mecanismo eletrônico para facilitar o ortostatismo que proporcionará por exemplo a um paraplégico, todos os benefícios conhecidos pelo simples fato de estar na posição ortostática. Possui suporte anterior para os joelhos e posterior para a pelve, pode ter rodas com trava opcional. Com esta denominação, diria que este equipamento seja mais indicado aos desprovidos de força muscular em MMII, casos tipo paraplegia. O avanço da tecnologia permite hoje “stand in table” com controle eletrônico suficiente para fazer a elevação do paraplégico, da posição sentada para ortostática, e até mobilidade do equipamento pelo sistema eletrônico, que pode controlar inclusive a posição da mesa de atividades.

11. ANDADOR: auxiliar da locomoção que, por ter 4 pontos de apoio ao solo e suporte para apoio / impulsão com as mãos, proporciona marcha segura aos que não conseguem marcha sem auxílio.
ADAPTAÇÕES / ACESSÓRIOS ESPECIAS / PROCEDIMENTOS SECUNDÁRIOS / OPÇÕES PARA SEREM INSERIDAS OU NÃO, NAS PRESCRIÇÕES-PADRÃO: 1. almofada subaxilar, com complemento tubular semelhante às muletas axilares. 2. suporte / apoio para antebraço. 3. trava opcional nas rodas. 4. luvas para fixar a mão na ”punhadeira” das barras. 5. Punhadeira em borracha ou espuma recoberta.

Materiais de fabricação: alumínio, aço, titânio, fibra de carbono.
Acabamento / pintura: como todo equipamento metálico entre os citados, pode ser pintado na cor desejada, com pintura eletrostática / epox, ou cromado, polido, ou quando em aço, tipo “aço escovado”.

Tipo adulto ou infantil:
a) fixo;
b) dobrável;
c) articulável durante a marcha;
d) regulável / ajustável na altura.

Pontos de apoio ao solo:
a) 4 ponteiras;
b) 2 ponteiras posteriores e 2 pequenas rodas anteriores;
c) 4 pequenas rodas. OBS. as rodas, podem ter travas opcionais, ou não.

12. MULETA AXILAR: Ao prescrever bengalas ou muletas para uso por mais de um ano ou de uso permanente, cuja concessão seja através de Instituições, tipo SUS ou INSS, quantifique se unidade ou par, e sempre prescreva mais 4 a 8 ponteiras de borracha ou poliuretano “de reserva”; (usuários diários de bengalas ou muletas, desgastam as ponteiras em aproximadamente 4 - 8 meses de uso). Concedendo “as reservas”, evitamos que o paciente / segurado procure a Instituição em curto prazo de tempo, para requerer produto de baixo custo, mas que gera todo um processo de aquisição para promover a concessão, que certamente será demorado. Outro motivo deste procedimento refere-se à prevenção de acidentes / quedas pelo fato de andar com os produtos de ponteiras danificadas.
ADAPTAÇÕES / ACESSÓRIOS ESPECIAS / PROCEDIMENTOS SECUNDÁRIOS / OPÇÕES PARA SEREM INSERIDAS OU NÃO, NAS PRESCRIÇÕES - PADRÃO: 1. adaptação para amputados de braço ou antebraço. 2. adaptação para anquilose ou artrodese de cotovelo em 90 graus de flexão. 3. correia para fixação da muleta na cintura escapular. 4. luvas para fixar a mão na manopla. 5. com sistema de absorção de impacto.

Materiais de fabricação: madeira, alumínio, aço, titânio ou fibra de carbono.
Tipo adulto ou infantil - ajustável / regulável na altura..
Regulagem / ajustagem normal da altura da muleta:

  • a) posicionar a muleta lateralmente, próximo ao tronco e membro inferior.
  • b) suporte axilar 3 a 4 cm abaixo da axila.
  • c) cotovelo deve estar em flexão de 25 a 30 graus.
  • d) suporte da mão ao nível do quadril (acima do grande trocanter).

OBS: tratando-se de muletas ou bengalas, principalmente aos usuários permanentes, saber que existem os modelos com sistema de absorção de impacto, que ajuda na prevenção de dor causada por calosidade nas mãos, tendinite, epicondilite, Síndrome do Túnel do Carpo, Síndrome do Impacto, sem contar o conforto que proporciona, manifestado pelos usuários.

13. BENGALA: ver relatos já mencionados sobre as muletas, cabíveis às bengalas.
ADAPTAÇÕES / ACESSÓRIOS ESPECIAIS / PROCEDIMENTOS SECUNDÁRIOS / OPÇÕES PARA SEREM INSERIDAS OU NÃO, NAS PRESCRIÇÕES - PADRÃO: 1. adaptação para amputados de braço ou antebraço. 2..adaptação para contraturas / anquilose / artrodese dos cotovelos, em 90 graus ou menos de flexão. 3. braçadeira de antebraço articulável. 4. segmento tubular do antebraço ajustável. 5. luvas para fixar a mão na manopla.

Materiais de fabricação: madeira, alumínio, aço, titânio ou fibra de carbono.
Tipo adulto ou infantil, ajustável / regulável na altura.
Modelo convencional, Canadense ou Lofstrand.
Regulagem / ajustagem normal da altura da bengala:

  • a) posicionar a bengala lateralmente, próximo ao membro inferior.
  • b) cotovelo deve estar em flexão de 25 a 30 graus.
  • c) suporte da mão ao nível do quadril (acima do grande trocanter).

Bengala Convencional usualmente são as confeccionadas em madeira, com o suporte para as mãos tipo cabo de guarda-chuva, ou “em T”.
Bengala Canadense (ou Lofstrand) é a que possui prolongamento com suporte posterior no terço superior do antebraço. Este suporte pode ser fixo ou articulável. A bengala canadense pode ter 1, 3 ou 4 ponteiras. Bengalas com 3 ou 4 ponteiras estão indicadas para pessoas com maior grau de dificuldade no equilíbrio e marcha.

Bengala Personalizada é aquela confeccionada, atendendo alterações anatômicas do usuário. Umas das mais conhecidas são as confeccionadas para posicionamento dos membros superiores com cotovelos em flexão de 90 graus. Exemplos práticos:

  • Paraplégico, independente para marcha com órteses longas bilaterais e um par de bengalas canadenses. Queda da própria altura, fratura do rádio distal bilateralmente, submetido à cirurgia no rádio direito, lado dominante. 90 dias após o trauma, voltou a realizar marcha independente, com as bengalas providas de suportes na base dos antebraços, suportes para mãos (manoplas) verticais, cotovelos em 90 graus. Tentou andar com bengala normal (padrão), porém a dor se manifestava.
  • Paciente de 42 anos, poliomielite com 2 anos de idade. Desde então, marcha com órteses longas bilaterais e um par de bengalas. Aos 25 anos cirurgia par Síndrome do Túnel do Carpo direito. Aos 28 anos cirurgia para Síndrome do Túnel do Carpo esquerdo. Aos 35 anos, dor nos punhos, tratamento conservador sem melhora significativa, recidiva no punho D, nova cirurgia. Aos 37 anos aceita a modificação das bengalas, e encontra-se assintomática, com marcha completamente funcional.

Bengala para Deficiente visual: é um capítulo à parte, sobre o qual não me sinto competente para comentários precisos. Sabemos que a tecnologia moderna fabrica bengalas com mecanismos ultra-sônicos que alertam com sistema de vibratório para obstáculos à frente do trajeto do Deficiente visual.

14. VEÍCULO MOTORIZADO ADAPTADO: vem finalizar esta apresentação, chamando atenção para ACESSIBILIDADE. Todo veículo motorizado pode ser adaptado para Pessoas com Deficiência.

  • Oportunidade que recomendamos para uma boa atualização deste e de outros produtos / equipamentos ligados à Reabilitação e às Pessoas com deficiências, é a REATECH, feira anual que acontece em São Paulo.