Demétrio Praxedes Araújo


Sobre Reabilitação - Você sabia?

1. FISIATRIA é Especialidade Médica autônoma, reconhecida na Dinamarca em 1916. Em 1931, o termo “MEDICINA FÍSICA” foi oficializado pela 1ª vez na Inglaterra, pelo grupo da British Medical Association (Fonte: Directory of a Physical Medicine Specialits – 1960 – Sidney Lichth).

2. Em 1947, a “Medicina Física e Reabilitação” foi reconhecida pelo Conselho Nacional de Especialidades Médicas Americano.

3. Em 09/09/1954, na cidade do Rio de Janeiro, foi fundada a SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO - FISIATRIA, atualmente denominada ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA FÍSCA E REABILITAÇÃO.

4. Luiz XIV da França construiu em Paris um Hotel, conhecido como “Hotel dos Inválidos”, para abrigar seus soldados mutilados. Anos depois, Napoleão Bonapart transformou-o em Hospital de Reabilitação para seus soldados, que até hoje existe não apenas para Reabilitação de Soldados.

5. “Entende-se como Hospital ou Centro Especializado em Reabilitação, aquele cuja maioria dos leitos, se destine ao tratamento especializado de clientela portadora de Deficiência, em regime de internação”. (Fonte: Ministério da Saúde – Portaria / SAS / Nº 305 de 02 / 07 / 1992).

6. “Reabilitação Física, Profissional e Social. Não divorciar Atendimento Médico da Reabilitação, para antecipar o retorno do acidentado ao trabalho. Sem Reabilitação, o produto não tem atrativo para o cliente (que já conta com o atendimento, sem acréscimo nas mensalidades). Não há margem para continuar fornecendo coberturas graciosas (aumento de coberturas nos planos, sem a contrapartida dos reajustes)”. (Fonte: palestra do Dr. Jorge Roberto Cantergi, por ocasião do 7º Seminário Nacional UNIMED de Saúde Ocupacional e Acidente de Trabalho, e 1º Encontro Nacional UNIMED de Medicina de Reabilitação, realizado em Natal – RN, de 16 a 18 / 08 / 2001).

7. Reabilitação de Amputados, não é sinônimo de Protetização para amputados.

8. A primeira mão estética confeccionada em couro, para próteses de membro superior, foi criação de Ambroise Paré.

9. Peter Beill, Odontologista alemão, aperfeiçoou no ano de 1818, o funcionamento ativo da mão protética, através de sistema de correias e cabos, para próteses autopropulsadas de amputações em membro superior.

10. Clint Allen, da Nova Zelândia, aos 51 anos teve amputação no antebraço, foi submetido ao transplante da mão em 23 / 09 / 1998, e em 03 / 02 / 2001 solicitou a retirada da mão que lhe fora transplantada.

11. Significado da sigla das próteses para amputação transtibial:
P.T.B.. (Patellar Tendon Bearing).
P.T.S. (Prothese Tibiale “a Emboitage” Supracondylienne). Sigla original era PTES.
K.B.M. (Kondylen Bettung Münster).

12. “Lembrem-se de curar o paciente, ao curarem a doença”. (Moyers).

13. Pernas Robóticas: em 07 / 11 / 2008 a Honda apresentou no Japão a sua versão de Pernas Robóticas; um dispositivo de auxílio ao caminhar destinado a dar mais mobilidade a idosos, e evitar o cansaço de trabalhadores que precisam passar muito tempo de pé. As pernas robóticas não são um tipo especial de prótese e não se destinam a amputados ou deficientes, mas à pessoas que possuem as duas pernas e controle total sobre seus membros. É como se a pessoa estivesse sentada sobre as pernas. O alvo principal do equipamento, segundo a empresa, são os idosos e os trabalhadores. O equipamento tem um assento, parecido com o selim de uma bicicleta. As pernas robóticas propriamente ditas ficam entre as pernas do usuário. Fazendo as vezes de pés, as pernas robóticas vêm equipadas com um par de sapatos, integrados ao equipamento.

Pernas Robóticas

14. “Próprio Foot”: o primeiro módulo de “pé protético inteligente” do mundo. Fornece benefícios fisiológicos inigualáveis para amputados transtibiais. A flexão automática do tornozelo significa o funcionamento mãos próximo do pé humano a que se pode chegar hoje. Este dispositivo tem “pensamento próprio”, respondendo perfeitamente à mudança de terreno e transformando seu comportamento em escadas e elevações.
(Fonte: “Próteses ÖSSUR” - Catálogo de Produtos 2008).

Pernas Robóticas

15. A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada pela ONU em 13 de Dezembro de 2006, em Reunião de Assembléia Geral para comemorar o Dia Internacional dos Direitos Humanos, é um marco para os militantes da justiça e equidade sociais e para seu público destinatário (Fonte: “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência - PR / SEDH / CORDE - Brasília, Setembro / 2007”).

16. Lei 11.992 / 96: “Deficientes físicos podem descer dos ônibus fora dos pontos definidos dos mesmos”.

17. O Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Especial, publicou na revista PORTAL DE AJUDAS TÉCNICAS de Dezembro de 2006, matéria interessante sobre Recursos para Comunicação Alternativa, e Recursos Pedagógicos Adaptados I e II (em 3 volumes), mostrando equipamentos e material pedagógico especial para a educação, capacitação e recreação da PCD. Aos interessados: seesp@mec.gov.br ou www.mec.gov.br/seesp.

18. O Sistema Loop, é um sistema de radiofreqüência que serve para amplificar o som para deficientes auditivos, que pode ser instalado em salas de aulas, para conferências, cursos, etc. Vem com microfone de mão e de mesa. Todos que usam aparelhos auditivos podem se beneficiar do sistema desde que dentro do alcance do mesmo.

19. Temos no Brasil, condições e tecnologia para adotarmos plenamente a Educação Inclusiva em Escolas ou Universidades, onde juntos estejam alunos sem deficiências, com Deficiência física, visual ou auditiva, desde que a Escola / Universidade seja adequada para recebê-los, disponibilizando Tecnologias Assistivas.

20. O MEC tem um programa denominado TEC NEP, que visa educação, tecnologia (assistiva) e profissionalização para Pessoas com necessidades educacionais especiais. Aos interessados: programatecnep@mec.gov.br ou www.mec.gov.br ou Tel: 61 – 21049681 / 9235.

21. Telecentro Acessível (TCA): é um espaço informatizado de fácil acesso (sem barreiras arquitetônicas), onde as pessoas que o freqüentam, utilizam o computador e a internet. É um espaço acessível, digital ou físico, compreendido por vários indivíduos (de qualquer faixa etária), independentemente de sua condição social, econômica, física, motora, ou cognitiva. Isso implica em dizer que o estado das pessoas não deve prejudicar o acesso. (Fonte: “Metodologia de Atendimento e Acesso de Pessoas com Deficiência a Telecentros” – Acessibilidade Brasil – Rio de Janeiro / 2007). www.acessobrasil.org.br

22. Audiodescrição: é acessibilidade nos meios de comunicação, que promove a inclusão de PCD visual ou auditiva. O Festival de Cinema de Gramado recebeu em 2007, pela primeira vez o recurso e preparou sessão inclusiva para deficientes visuais e auditivos, que foi realizada em 17 de novembro, com exibição do filme Saneamento Básico, O Filme, protagonizado por Camila Pitanga, Lázaro Ramos, Wagner Moura dirigido por Jorge Furtado. Audiodescrição: é técnica de narração de cenas e diálogos, que detalha cenários, roupas, expressões, entre outras ações. Trazida dos EUA e da Europa, pode ser utilizada em peças de teatro, televisão, filmes, museus e exposições. Em São Paulo, o Teatro Vivo é pioneiro na América Latina a oferecer este recurso em peça teatral comercial.
Como funciona: Os deficientes visuais, ao entrarem na sala de cinema recebem um fone de ouvido e os voluntários capacitados ficam em uma espécie de “cabine de som”, onde orientam, seguem o script e fazem a transmissão por áudio. (Fonte: site – e-Pipoca).

23. Foi promulgada a Lei 7.070 de 20 de Dezembro de 1982, que dispõe sobre pensão de caráter indenizatório, cujo valor varia de 1 a 8 salários mínimos, dependendo do grau de comprometimento, aos portadores de Talidomida. Vítimas nascidas a partir de 01/01/1957 até 31/12/1966, têm direito ao Benefício pago pelo INSS (espécie 56). Aos nascidos a partir de 01/01/1967 até 31/12/1998, terão o direito, mas o valor reconhecido pelo INSS, será também pago pelo Ministério da Saúde, em razão de decisão judicial. Aos nascidos após 31/12/1998, não terão benefícios deferidos na via administrativa do INSS, devendo ser pleiteado em juízo a indenização, demonstrando a responsabilidade do Poder público, ou de outro ente. (Fonte: “Considerações sobre os Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência” - Ministério Público Federal – São Paulo – Março / 2002).

24. Síndrome de Rett: Doença neurológica que acomete principalmente o sexo feminino, em todos os grupos étnicos. História de perda progressiva das funções neurológicas e motoras após período de desenvolvimento aparentemente normal, que vai de 6 a 18 meses de vida. Logo após esta idade, constatam-se alterações das habilidades normais adquiridas como da marcha, linguagem, uso intencional das mãos, que gradativamente são esquecidas / perdidas, surgindo estereotipias manuais como movimentos repetitivos / bizarros / involuntários das mãos, típicos da doença.

25. A Hérnia de Disco lombar, é mais freqüente em L4-L5 do que em L5-S1.
(Fonte: Rothman, 2 ed, vol. 1 pag.532).

26. A Escoliose Idiopática Juvenil aparece entre 3 e 10 anos de idade, e deve ser diagnosticada / acompanhada / tratada, o mais precocemente possível.

27. Bursite Trocantereana - registros dos primeiros relatos, assim reconhecidos cientificamente, se devem a Partridge em 1846. Em 1877, Duplay denominou a afecção de “Periartrite Coxofemoral”. Mais de 50 % dos casos referem dor, quando submetidos ao teste Patrick - Fabere. O tratamento é conservador, com duração média de 6 a 8 semanas, constando de: AINH - repouso (andar o necessário apenas, não fazer caminhadas longas, ou exercícios de agachamentos / alongamentos) - crioterapia inicialmente - contraste térmico (calor + frio) posteriormente - infiltração local, dependendo do caso, da intensidade dos sintomas e da indicação do médico - calor profundo com Ultra-som local - cinesioterapia com exercícios de alongamento / reforço muscular, progressivamente.
(Fonte: “Temas de Reumatologia Clínica”; vol. 7 - Nº 1 - Fevereiro 2006).

28. A American Hippotherapy Association, definiu como “hipoterapia”, o emprego dos movimentos do cavalo, com fins terapêuticos. O termo, tem origem no grego: “hippos”. No Brasil, utilizamos o termo “equoterapia”, com origem do latim: “equus”.
(Fonte: “Medicina de Reabilitação” - Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação - Academia Brasileira de Medicina e Reabilitação - Sérgio Lianza - Quarta Edição - Guanabara Koogan - 2006).

29. Origem da MIF: em 1983, Granger e colaboradores, apoiados pelo Congresso e pela Academia Americana de Medicina de Reabilitação, reuniram um conjunto de dados para mensuração da incapacidade e para avaliação dos resultados de programas de Reabilitação. Foram revisados 36 instrumentos de avaliação funcional, para elaborar uma escala que fosse capaz de avaliar a função em diversas condições de incapacidade, como o AVC, Esclerose múltipla, Lesão Medular, além de outras doenças. Dessa forma, surgiu a escala de Medida de Independência Funcional - MIF. Em 1984 foram iniciados os estudos-piloto da escala MIF.
(Fonte: “Acta Fisiátrica”; Volume 15 - Número 3 - Setembro 2008).

30. Guia de Acessibilidade Urbana – Parâmetros Antropométricos - / Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais - Prefeitura Municipal de Belo Horizonte / 2006. : (cito alguns exemplos para determinação das dimensões referenciais, ou seja, espaço físico livre necessário para…).

  • Marcha com um par de muletas axilar: 95 a 120 cm.
  • Mobilidade de deficiente visual com cão guia: 90 cm.

Área de rotação para cadeiras de rodas, sem deslocamento:

  • Rotação de 90°: 1,20 m X 1,20 m.
  • Rotação de 180°: 1,50 m X 1,20 m.
  • Rotação de 360°: 1,50 m X 1,50 m.

Larguras referenciais para deslocamento em linha reta:

  • Uma pessoa em cadeira de rodas: 90 cm.
  • Um pedestre e uma pessoa em cadeira em de rodas: 120 cm a 150 cm.
  • Duas pessoas em cadeiras de rodas: 150 cm a 180 cm.

Rampas: as rotas acessíveis, não podem ter degraus. Degraus de até 5 mm, não demandam tratamento especial. Degraus > 5 mm até 15 mm, são tratados em forma de rampa com inclinação máxima de 1:2 (50%). Desníveis > 15 mm, são tratados como rampas com inclinação de até 8,33 % (1:12). A largura da rampa deve ser estabelecida de acordo com o fluxo de pessoas. A largura livre mínima recomendável para as rampas em rotas acessíveis, é de 1,50 m . O mínimo admissível é de 1,20 m, sabendo que dependendo da largura das cadeiras que rodas que se cruzam no sentido mão / contramão, talvez não permita a passagem de ambas.
Bebedouro acessível: deve possuir altura livre inferior de no mínimo 0,73 m do piso. Deve ser garantido um módulo de referência para aproximação frontal (em cadeira de roda) do bebedouro, podendo avançar sob o bebedouro até no máximo 0,50 m.