Anniele Martins


Fiscalização do Trabalho

Anniele Martins
Fisioterapeuta do Trabalho

Quando acontece uma fiscalização do trabalho, três atores (no mínimo) estão envolvidos: a organização, o trabalhador e o auditor fiscal.

Muitas vezes a organização recebe a fiscalização com medo e com a sensação de que o auditor fiscal tem o objetivo de “prejudicar a companhia”. Por outro lado, muitas vezes, o auditor fiscal chega com a intenção de descobrir o quê e o quanto de prejuízo a companhia está causando ao trabalhador.

Ora, entre o branco e o preto existem tantas possibilidades de cores! A chave da negociação durante a fiscalização está em transitar entre as diversas possibilidades de tons de cinza.

Para qualquer negociação são necessários ingredientes como: comunicação eficaz, respeito entre as partes, intenção de descobrir a necessidade da outra parte, estabelecimento das diversas possibilidades de acordo e, chegar ao acordo final; sempre com coerência, integridade e ética.

Por parte do órgão de fiscalização são claras as intenções: que o ambiente do trabalho e as relações trabalhistas sejam adequadas a legislação, mas principalmente sejam satisfatórias ao elo mais fraco: o trabalhador.

Considerando que uma parte já esclareceu seu interesse, fica por parte da organização desarmar-se e “dar o tom da negociação”. A empresa, por sua vez, muitas vezes não sabe como lidar com essas questões. Ela pode ter vários funcionários da área de SST, mas geralmente estão tão envolvidos com a organização que acabam construindo uma barreira na tentativa de defender-se. Por experiência própria, inserir um consultor externo, que não tenha conflitos de interesse, facilita na hora de estabelecer uma comunicação eficaz entre as partes e, por consequência estabelecer as possibilidades do acordo.

Se a organização não tiver um consultor, é interessante que estabeleça quem será o negociador. Sendo um ou outro, algumas características e habilidades deve desenvolver:

  • a) receptividade: ouvir e receber a demanda de todos os envolvidos;
  • b) coerência: colocar na mesa os interesses e possibilidades da organização;
  • c) defender e justificar o que for controverso;
  • d) credibilidade: cumprir o que prometer;
  • e) conhecimento técnico: tem que saber o que está negociando.

Atender ao que pede a legislação é o mínimo do acordo; pode-se ainda negociar as ações prioritárias, os prazos, a validação de percepção dos trabalhadores, a entrega dos resultados, e, as ações que estão além da legislação, mas que agregam valor à negociação.

Na prática vejo que o fracasso da negociação consiste na diferença entre o estabelecido na proposta inicial e o resultado da negociação. Por isso, que na negociação ganha-ganha o diálogo com transparência deve ser contínuo e atualizado a cada ação.

Como consultora de ergonomia, estabelecer uma relação ganha-ganha fica bem mais fácil. A Ergonomia tem três pilares: segurança, conforto e produtividade. Cumprindo a segurança atende-se a legislação, cumprindo o conforto, atende-se ao trabalhador; cumprindo a produtividade, atende-se a organização. Relação ganha-ganha estabelecida com sucesso!

Independentemente de sua atuação, com esse olhar conciliador e ao mesmo tempo técnico, é possível atingir o objetivo de preservar a vida, a saúde e a integridade do trabalhador. Ao final, todos ganham, todos crescem.