Márcio Valério


Ebook Facilitadores e Dificultadores no Processo de Retorno ao Trabalho

Segurança de Processo – Monitorando o Desempenho da Organização

Márcio Valério
Especialista em Segurança de Processo com 22 anos de experiência na indústria de petróleo.

Algumas organizações somente entenderam a importância de aprimorar o gerenciamento de segurança de processo após sofrer perdas, às vezes catastróficas. A diferença entre ocorrer um evento de consequência menor ou de maior vulto é simplesmente uma chance. Ou seja, uma oportunidade de enxergar que algo mais a frente poderia dar errado, a partir de dados de falhas menores que permeavam os processos que utilizam produtos perigosos ou inflamáveis. O aviso antecipado de deterioração perigosa em sistemas críticos oferece uma oportunidade para evitar incidentes importantes. Muitas organizações não têm boas informações para mostrar o quão bem estão gerenciando os principais riscos de processo. Isso ocorre porque as informações coletadas tendem a se limitar a medir falhas, como incidentes ou quase acidentes. Descobrir pontos fracos nos sistemas de controle ao ter um incidente grave é tarde demais e muito caro. Uma gestão efetiva dos cenários acidentais de maiores consequências requer uma gestão adequada de riscos. Portanto, é necessário certificar-se de que os sistemas críticos estejam operando de forma controlada. A utilização de indicadores de desempenho promove a obtenção deste objetivo. Permite, ainda, identificar eventos ou condições que poderiam levar a um nível mais alto de consequências. Os indicadores fornecem um meio de medir a atividade, o status ou o desempenho em relação aos requisitos e objetivos. Numa visão empresarial, diretores e gerentes precisam monitorar a eficácia dos controles internos contra os riscos do negócio. Para instalações de risco maior e fabricantes de produtos químicos, os riscos de segurança de processo serão um aspecto significativo do risco de negócios, integridade de ativos e reputação. Saber que os riscos do processo são efetivamente controlados tem uma ligação clara com a eficiência do negócio, pois vários indicadores podem ser usados para mostrar a disponibilidade da planta e as condições operacionais otimizadas.

Monitorar e analisar o desempenho permite que as empresas tomem medidas corretivas conforme necessário. A correta seleção de indicadores é importante, pois alguns podem não fornecer as informações necessárias para garantir desempenho. Indicadores mal selecionados ou mal elaborados podem resultar em lacunas de conhecimento ou podem resultar em perda de confiança. Mais de um indicador e mais de um tipo de indicador são necessários para monitorar as diferentes dimensões da disciplina operacional de segurança de processo e desempenho do sistema de gestão.

A definição de indicadores pela organização passa pela resposta a perguntas fundamentais sobre seus sistemas, tais como:

  • O que pode dar errado?
  • Quais controles estão em vigor para evitar grandes incidentes?
  • O que cada controle oferece em termos de um "resultado de segurança"?
  • Como sabemos que os controles continuam a funcionar como pretendido?

American Petroleum Institute – API – publicou o documento API RP 754 que apresenta indicadores reativos e proativos para gerenciamento de segurança de processo, que tem significante aplicação na indústria de petróleo e gás. Portanto, é uma boa referência, uma vez que é um conjunto bem estruturado e incorpora melhorias, na edição de 2016, a partir da experiência das organizações que o adotam. Cabe destacar que a Agencia Nacional do Petróleo – ANP – já os requisita (em parte) nas operações de exploração e produção de petróleo na área off shore (plataformas e sondas marítimas).

Na figura acima, observa-se que os indicadores são classificados em níveis (tier) de 1 a 4, cujas condições de enquadramento constam da API RP 574:

Nível (tier) 1 - eventos de perda de contenção primária de produto perigoso ou inflamável de maiores consequências.

Nível (tier) 2 - eventos de perda de contenção primária de produto perigoso ou inflamável de menores consequências.

Nível (tier) 3 - eventos onde as salvaguardas ou camadas de proteção que visam evitar perda de contenção primária de produto perigoso ou inflamável foram demandadas.

Nível (tier) 4 - falha em elemento de gestão de segurança de processo, a qual pode levar à degradação das salvaguardas ou camadas de proteção que visam evitar perda de contenção primária de produto perigoso ou inflamável.

Os indicadores Níveis 1 e 2 são os chamados reativos pois já houve a perda de contenção primária,ou seja, consequências já estão configuradas. Os de níveis 3 e 4 são os chamados pró-ativos pois sinalizam atenção em elementos do sistema de gestão que devem ser corrigidos, antes da efetiva ocorrência de perda de contenção primária.

A medição do desempenho para avaliar a eficácia com que os riscos estão sendo controlados é parte essencial de um sistema de gerenciamento de segurança de processo. Usados de forma eficaz, os indicadores de segurança de processo podem fornecer um aviso antecipado, antes de uma falha catastrófica.

Referências Bibliográficas

- Health and Safety Executive “Developing process safety indicators” http://www.hse.gov.uk/pUbns/priced/hsg254.pdf

- API RP 754 “Process safety performance indicators for the refining and petrochemical industries” – Segunda edição, abril de 2016

- Agência Nacional de Petróleo http://www.anp.gov.br/exploracao-e-producao-de-oleo-e-gas/seguranca-operacional-e-meio-ambiente/dados-de-desempenho/indicadores-de-desempenho