Paulo Dias de Campos


Ebook Facilitadores e Dificultadores no Processo de Retorno ao Trabalho

Absenteísmo: o que está faltando afinal?

Paulo Dias de Campos
Diretor Centro Brasileiro de Segurança e Saúde Industrial

Quais as causas das faltas ao trabalho? Essa é a pergunta que vale um milhão de dólares...

Uma resposta assertiva, com certeza, vale essa quantia ou até mais...vocês não acham?

Um mal-estar físico é motivo? E falta de vontade de sair de casa? Desanimo de encontrar com os colegas de trabalho ou medo daquela reunião mensal insuportável...o ônibus atrasou muito hoje, estou com sintomas de depressão, dor lombar, não consegui cumprir aquele prazo..., não suporto aquele ambiente barulhento, essas são algumas entre inúmeras possibilidades de causas possíveis para falta ao trabalho, sejam elas reais ou não...

O que fazer para elaborar um programa de gestão dessas faltas que dê resultados concretos não só para a organização empregadora, mas também para proporcionar uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores que precisam do trabalho para seu sustento e dignidade.

Difícil, mas não impossível missão. Começar por onde?

Uma sugestão é listar as causas das faltas. Mas como fazer isso? Ouvindo inicialmente cada um dos que se ausentaram, mesmo que a falta tenha sido somente por um dia.

Mas isso dará muito trabalho, eu não tenho tempo nem pessoal para executar essa tarefa...bem, então o melhor é se acostumar a viver com essas faltas, ou melhor, com um número crescente de faltas, pois elas tenderão a crescer se um programa consistente de gestão não for adotado.

Mas só conhecendo os motivos reais do absenteísmo já teremos uma redução nesse quadro?

Não, claro que não...esse é apenas o começo de um programa que você, responsável pela gestão do absenteísmo, deverá levantar cuidadosamente e sem suposições e/ou conclusões apressadas.

Acho que vou desistir, vamos deixar como está, ouvi dizer que se o índice do absenteísmo for igual ou menor que 2,5% não preciso me preocupar, é isso mesmo?

Bem vamos por partes...sou adepto de não balizar uma ação, seja ela qual for, apenas por um número de um indicador. Afinal, são pessoas que faltam ao trabalho e não máquinas...por isso a importância da gestão humanista...

- Qual a área da empresa com mais prevalência de faltas?

- Qual o padrão das causas reportadas?

- Qual o perfil dos ausentes?

- Alguma reclamação persistente?

- As faltas são de curta ou longa duração?

- E os atestados médicos tem rotina de recebimento bem definida e difundida?

Com essas poucas respostas em mãos, talvez tenhamos um começo interessante para o desenvolvimento de um programa de gestão do absenteísmo.

Claro que existem inúmeros outros fatores que desafiam nossos “saberes e certezas” e tornam um programa de controle do absenteísmo mais complexo do que parece num primeiro momento.

O comportamento humano em rápida e imprevisível transformação, requer uma abordagem multidisciplinar para que as inumeráveis causas que influenciam aleatoriamente sua vida laboral e social sejam melhor compreendidas e trabalhadas.

Há uma grande inquietação sobre o futuro do trabalho, empregadores e trabalhadores precisam alinhar as suas expectativas - ganho financeiro de um lado e satisfação e qualidade de vida do outro – de tal maneira a atender a ambos os propósitos, se é que isso seja possível.

O absenteísmo preocupa ambas as partes, pois impacta negativamente a organização, sua mão de obra, os sistemas de saúde e previdenciário, com enorme prejuízo para toda a sociedade.

Então vamos começar?